sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Furtada


Naqueles dias em que o desgosto furtou o brilho incandescente do olhar e o sorriso estonteante, recordo, agora, um dos momentos que a tomaram o desejo de comer, podem explorar todos os sentidos deste termo leitores, roubaram-na todas as fontes de prazeres, os dias eram consumidos pela recusa a todos os artifícios estimulantes à sobrevivência. 

Sendo assim, o sustento diário enojava-a, o cheiro fluído de qualquer alimento lembrava que as substâncias contidas no prato a fariam sobreviver, e sobrevivência já não era mais a sua prioridade. Por um período longo e obscuro ela só ingeria líquidos, a única solidez presente em sua vida era o sono dopante, possuindo uma semelhança assustadora à Bela Adormecida, pois num estado de coma ela não despertava ao ser beijada, contudo, tremendo num estado convulsivo, perturbada por pesadelos apavorantes. Portanto, talvez, um dia alguém a beije e desperte nela não só a vida, como também todas as fontes de prazeres possíveis.

Juliane Sousa


domingo, 13 de setembro de 2015

Orgulho é a palavra certa pra se usar.
Orgulho de mim mesma , por já poder escutar aquela música e não lembrar de você.
As lágrimas não descem mais , o nó na garganta não se forma.         
Queria poder te dizer tudo ...  e esse tudo é que eu estou muito feliz,  o que você não me proporcionava.
Eu estava cansada do nosso mundinho fictício. Que você ache sua stand-in , pois sua atriz principal já foi embora.

C.R

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Brainstorm #1





Era noite, o garoto pega uma mangueira, liga na torneira e começa a limpar o sangue de umas das garotas que caíra do 3° andar. O corpo foi arrastado para os fundos e guardado em uma geladeira por algum motivo que ele não entendia. Ao término do serviço e da limpeza do acidente, a criança voltou ao seu posto e recebeu uns trocados de um grande homem de paletó branco que cuidava das garotas. Disse o homem:
“- Que merda ein garoto ! Não quero conte pra ninguém OK ? Não podemos perder a reputação de nosso estabelecimento…
“O garoto acenou com a cabeça e nada disse. A noite continuou e poucos homens entraram na grande casa, cujo ingresso para a entrada era paga a ele. Com pouco movimento no local,  ele pode conversar com Polly, uma garota loira, de cabelos cacheados e um pouco mais velha que ele.
- Desceu cedo ? - disse o menino.
Um pouco sonolenta e com olhos avermelhados, a menina disse:
“- Não tive muito trabalho hoje, pois o acidente com Natasha espantou os clientes.
O garoto não entendia o porque aqueles homens pagavam para ver mulheres grandes e pequenas dançando. Então, os dois, sem nenhum trabalho para fazer, subiram para o terraçoe passaram boa parte da noite lá contaram as estrelas, eles se questionavam porque não era possível alcansá-las ? por que estamos tão longe delas ? O garoto, com muita simplicidade disse:
-  Nós estamos muito baixos e aqui está escuro, talvez um dia cressamos e possamos alcançá-las e ver que onde estamos não é possivel chegar lá.

 Reynold Stephanes @NamoturMesquita

Por Toda Vida



No momento da chegada,
no momento da partida,
sempre estive contigo.
Sempre estarei contigo,
em todos os momentos,
na alegria,na tristeza.
Das canções que fiz,
nenhuma deixa de falar de você,
pois todas são por você.
Sem saber,você foi
minha força,
minha inspiração,
minha esperança.
E é essa esperança
que me guia até você
é essa esperança que
faz meu coração falar-te:
“Eu vou te esperar por toda vida.”
—  Silvana Machado
Texto escrito em 02/12/00

Aqui Habita um Poeta


Mãe, quando o cavaleiro Negro me levar,
não chores,não se desespera,sorria
Pois eu vou para a montanha da felicidade.
Deite-me a sombra de uma árvore lá no morro,
cubra-me com um cobertor de terra pura
e um acolchoado de relva e flores.
Na árvore coloque uma placa dizendo:
“Aqui Habita Um Poeta”
E sempre que sentir um aperto no coração
e um suspiro triste na alma por mim,
olhes para montanha, verás lá,
uma árvore de folhas verdes e belas,
a sombra desta árvore eu estarei.
Logo sentirá em seu coração um alívio
e em sua alma uma alegria inexplicável,
e na árvore de folhas verdes e belas
o vento estará soprando e sussurrando:
“Não chores, sorria, pois agora estou no habitar dos poetas.”

—  Silvana Machado
Texto Escrito No Dia 02/09/00
Vai fazer quinze anos.

Processo de petrificação



“Repudiada, afogada pelo rio da ilusão, a frieza da saudade congela e dilacera o coração amargurado. Fecho os olhos e contemplo você beijando sua musa, enquanto toco a face da solidão, depressa você a abraça, enquanto eu abraço as ultimas lembranças que ainda tenho de um passado cor-de-rosa.

O pranto jorra incessante, é a imensidão do mar enegrecido que penetra o coração, aos poucos petrificando, evacuando todo sentimento que outrora me preenchia. Logo, lamentavelmente, aqui agora, jaz uma pedra sangrenta pulsante.”
— Juliane Sousa