sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Furtada


Naqueles dias em que o desgosto furtou o brilho incandescente do olhar e o sorriso estonteante, recordo, agora, um dos momentos que a tomaram o desejo de comer, podem explorar todos os sentidos deste termo leitores, roubaram-na todas as fontes de prazeres, os dias eram consumidos pela recusa a todos os artifícios estimulantes à sobrevivência. 

Sendo assim, o sustento diário enojava-a, o cheiro fluído de qualquer alimento lembrava que as substâncias contidas no prato a fariam sobreviver, e sobrevivência já não era mais a sua prioridade. Por um período longo e obscuro ela só ingeria líquidos, a única solidez presente em sua vida era o sono dopante, possuindo uma semelhança assustadora à Bela Adormecida, pois num estado de coma ela não despertava ao ser beijada, contudo, tremendo num estado convulsivo, perturbada por pesadelos apavorantes. Portanto, talvez, um dia alguém a beije e desperte nela não só a vida, como também todas as fontes de prazeres possíveis.

Juliane Sousa


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